Cuiabá - MT, 20-08-2022 às 00:49

Mulher, o sexo forte

O artigo da arquiteta Tânia Matos foi escrito em 2017, ela compartilha porque ainda é muito atual

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“Dizem que a mulher é o sexo frágil, mas que mentira absurda...!”

Erasmo Carlos, no início dos anos 80, cantava em versos e prosas a música “Mulher(Sexo Frágil)”, que compôs juntamente com Narinha, sua ex-mulher. 

Vamos concordar com Erasmo Carlos, de frágil não temos nada. Lembro que na minha geração a luta já começava nos primeiros anos de vida. Era a nós mulheres que cabia a tarefa de executar os afazeres domésticos e cuidar de nossos irmãos mais novos. Quando reclamava, ouvia que essa tarefa era da mulher. Cumpra e não discuta.

Nessa época, a falta de acesso a informações e a pouca idade, não contribuíam para uma percepção mais clara, que nos desse embasamento para discutir essas questões deforma igualitária. A palavra da mãe era lei. Para ela a palavra da mãe dela foi lei também, aquela coisa de passar de mãe para filha. Sabemos que o que aprendemos na infância tende a enraizar-se em nossa memória.

Hoje observo amigas com filhos e as tarefas são divididas igualitariamente entre eles. Não existe mais o serviço que é só feminino. Já é um grande avanço. 

Da música de Erasmo Carlos até hoje já se passaram 36 anos. Muitas leis foram instituídas para proteger e defender os direitos das mulheres. Que absurdo ter que instituir lei para proteger e garantir os nossos direitos quando isso deveria ser um processo natural.

O site G1, em 7 de março de 2015, traz uma matéria com dados que nos faz refletir sobre nossas conquistas ao longo desses anos. A pesquisa apresenta que no Brasil “a presença de mulheres em cargos de liderança vem caindo ao longo dos anos. Em 2012, 26% das empresas não tinham funcionárias em funções de comando. Em 2013, a proporção aumentou para 33% e, em 2014, para 47%”.

Nessa mesma matéria a sócia da Grant Thornton Brasil, Madeleine Blankenstein, fala sobre alguns fatores que contribuem para isso, como, por exemplo, a dificuldade para equilibrar a vida familiar com a profissional: “Poucas empresas têm creches, oferecem a oportunidade de trabalho flexível e outros benefícios que permitiriam que a mulher não precisasse sempre escolher entre a família e o trabalho. Além disso, os grandes centros urbanos dificultam a mobilidade e a possibilidade de flexibilidade para as mulheres que buscam este equilíbrio".

Quando pensamos que já avançamos muito em relação a nossos direitos e nossas conquistas, que esse processo dificilmente irá retroceder, vejo na quarta-feira, último 2 de março, o deputado Janusz Korwin-Mikke defender no parlamento Europeu, num debate sobre as assimetrias salariais em função do gênero que, "As mulheres devem ganhar menos do que os homens porque são mais frágeis, mais pequenas e menos inteligentes".

O que pensar sobre isso! Vamos voltar à música de Erasmo Carlos: “Mais que mentira absurda!”

Enfim, continuamos trabalhando mais e ganhando menos. Vamos continuar lutando por melhores condições, melhores salários e por melhores cargos. Não queremos ser diferentes. Queremos apenas ser iguais em deveres e direitos. Queremos e merecemos mais respeito.

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Tânia Matos é arquiteta e urbanista, administradora, pós-graduada em Gerência de Cidades FAAP/SP, mestre em ensino, mestre em Geografia pela UFMT. Atuou no setor público como Subprefeita de Cuiabá, Secretária Municipal de Trabalho e Desenvolvimento de Cuiabá e Presidente da Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá. Hoje é empresária e atua no Escritório Tânia Matos Arquitetura e Urbanismo.  

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